Sérgio Cabral demonstra que
Nara Leão foi uma das cantoras mais importantes da sua época
pela sua impressionante capacidade de descobrir o novo, sem se importar
com os modismos. Cada disco que gravou foi marcado pela originalidade.
Mesmo quando não coube a ela o lançamento de certas inovações,
como foi o caso do tropicalismo, não abriu mão da sua vocação
para o pioneirismo, participando do primeiro disco do movimento. E, quando
todos esperavam que ela surgisse com mais novidades, surpreendia novamente
cantando músicas do passado.
Além de abordar muitos aspectos
da vida pessoal da cantora, Nara Leão, uma biografia chama a atenção
para a serenidade e a firmeza com que ela enfrentou a ditadura militar
? com as ameaças de prisão e o exílio na França
?, e várias outras dificuldades, sendo a mais grave o tumor no cérebro,
com o qual conviveu durante mais de 10 anos e que a levaria à morte,
aos 47 anos de idade. A sua entrevista ao Diário de Notícias,
em maio de 1966, pregando a extinção das forças armadas,
chegou a gerar uma crise política, com o governo dividido entre
os militares moderados e os da chamada "linha dura", que defendiam a sua
prisão imediata.
Sérgio Cabral, amigo de
Nara Leão desde 1961, quando ela não havia sequer gravado
seu primeiro disco, é jornalista desde 1957 e escreve sobre músicas
popular desde 1960, quando trabalhava no Jornal do Brasil. Atuou em quase
todos os jornais e emissoras de televisão do Rio de Janeiro, na
Folha de S. Paulo e no Estadão, na revista Manchete, em revistas
da Editora Abril e foi um dos fundadores do Pasquim. Escreveu os seguintes
livros sobre a música popular brasileira: Pixinguinha, vida e obra,
No tempo de Ari Barroso, Elisete Cardoso, uma vida, Antônio Carlos
Jobim, uma biografia, As escolas de samba do Rio de Janeiro (todos da Lumiar
Editora), além de ABC do Sérgio Cabral (Editora Codecri),
No tempo de Almirante (Francisco Alves Editora), MPB na era do rádio
(Editora Moderna) e Mangueira, a nação verde e rosa (Prêmio
Editorial).