Lumiar Editora
& Almir Chediak
 
Nascido a 21 de junho de 1950 no Rio de Janeiro, Almir Chediak tem sangue mineiro: seu pai é Jorge José Chediak, nascido em Três Corações e filho de imigrantes libaneses. Sua mãe, Conceição Santana Chediak, é da cidade de Carmo da Cachoeira, onde Almir viveu boa parte de sua infância. Morou dos oito aos treze anos na cidade de Volta Redonda, onde seu pai exercia a profissão de dentista.
 
De volta ao Rio, instalou-se com a família em Vila Isabel e passou a estudar violão com um dos maiores instrumentistas brasileiros de todos os tempos, Horondino Silva, o famoso Dino Sete Cordas. Identificou-se tão bem com o violão que, aos 17 anos de idade, já estava dando aulas. Almir teve, também, como mestre o Professor Ian Guest com quem estudou solfejo, harmonia e arranjo, sendo que essas aulas foram de grande importância na sua formação musical. Ian Guest é autor da obra "Arranjo Método Prático", em três volumes, lançada pela Lumiar Editora. Iniciou-se também como compositor, atividade que o levou ao cinema como autor de trilhas sonoras. Mas a sua paixão maior, sem dúvida, é a de transmitir aos outros os seus conhecimentos de violão, em particular, e de música, em geral. Nara Leão, que estudou violão desde a adolescência, desenvolveu com ele seu aprendizado de harmonia. Gal Costa e Moraes Moreira, entre muitos outros, também foram seus alunos.
 
Almir Chediak é autor de dois livros básicos destinados aos estudantes e aos profissionais de música: Dicionário de Acordes Cifrados e Harmonia & Improvisação. Recebeu, com o primeiro, o apoio imediado de músicos, escolas e professores de todo o Brasil, dando início, assim, ao processo de padronização das cifras no país. Harmonia & Improvisação também teve uma ótima acolhida e hoje figura nas estantes de grande parte dos músicos brasileiros. A publicação desses dois livros levou-o a criar a Lumiar Editora, responsável, atualmente, pela maior contribuição à bibliografia musical do país.
 
Uma obra patriótica
 
Os trabalhos de Almir Chediak têm importância máxima para a música brasileira e para a música em geral. Muitos compositores focalizados nos seus songbooks seriam capazes de escrever músicas e cifras, mas, geralmente, eles não cuidam dessas coisas. A música é gravada uma vez, duas vezes, e fica esquecida, como se houvesse um certo horror ao passado. Por isso, a maioria dos autores não deixa quase nada escrito. Quando deixa, deixa mal escrito. Eu mesmo fiz arranjos e escrevi melodias às pressas, na hora de pegar o trem para Belo Horizonte ou avião para São Paulo. Perderam-se as partes. Por aí, se vê a importância do trabalho de Almir.
 
Ele não está fazendo alguma coisa parecida com arranjos - sempre feitos em condições muito especiais, para, por exemplo, uma voz aguda ou muito grave.
 
Nos songbooks de Almir estão as cifras, os acordes e a letra. Isso é uma maravilha. E ficam a disposição dos interessados, como os arranjadores, os cantores, os intérpretes, os instrumentistas etc. Trata-se, portanto, de um trabalho que vai permanecer e vai dar filhotes, como diria o Vinicius de Moraes. É uma coisa maravilhosa para o Menescal, Carlinhos Lyra, Sérgio Ricado, Johny Alf, Baden, Vinicius, Caetano, Gil, para todos nós.
 
O trabalho dos editores sempre foi muito descuidado. Lembro-me daquelas edições que saiam com o nome de "Venicius de Morais" - Vinicius com 'Ve' e Moraes com 'i'. Se a capa era assim, imaginem lá dentro. As edições estão todas erradas na melodia, nos acordes, no ritmo e na letra. Para falar a verdade, considero o trabalho de Almir Chediak uma coisa patriótica, pois tem a ver com a memória do Brasil. Estou com dois netos que já tocam piano e violão. Estes cancioneiros são como um tesouro.
 
Tom Jobim
 

Nas décadas de 60 e 70, o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro conferia anualmente o prêmio Golfinho de Ouro, destinado ao maior destaque na área da criação na música, no teatro etc., e o Estácio de Sá para o personagem que melhor serviços prestasse à arte e à cultura. Os prêmios deixaram de ser concedidos, mas, se existissem, o Estácio de Sá de música popular seria entregue, desde fins dos anos 80, anualmente, a Almir Chediak e à sua Lumiar Editora. Ninguém mereceria mais do que ele tal homenagem.

O catálogo da Lumiar Editora está à sua disposição nesta página da Internet. A simples decisão de lançar os Songbooks, os discos e os livros seria suficiente para fazer de Almir Chediak o brasileiro que melhor serviu à nossa música, na área de produção, nos últimos anos. Mas cada obra é um exemplo concreto de busca da perfeição. Quando imprime as notas de uma música, as notas são aquelas mesmas, porque ele próprio conferiu com os autores compasso por compasso. Se algum consolo pudesse haver depois da morte de Antonio Carlos Jobim, ficaria o de que partiu tranqüilo em relação à perenidade da sua obra, até então deformada por editores (nacionais e estrangeiros) relapsos. Tom jamais deixou de manifestar gratidão a Almir Chediak por ter reproduzido corretamente a sua obra no Songbook.

A preocupação não é menor com a música gravada. Ao mesmo tempo em que dá liberdade de criação aos intérpretes dos discos da Lumiar, Chediak preserva o trabalho do autor, daí nascendo discos primorosos.

Na Lumiar, a música brasileira é tratada com amor, competência e dedicação.

Sérgio Cabral